Cada Lamento, uma Tragédia

As suas reclamações vão afundar a sua vida – e o seu negócio, muito antes que você perceba

 Quarta-feira, hora do almoço, comi algo mais rápido e desci na famosa 25 de Março para comprar algumas coisas. Precisava ir em três lojas diferentes e, antes de seguir com a história, gostaria de dividir algo sobre meu comportamento – essa informação será útil para entender o desenrolar da trama, atenção:

Costumo ser simpática, dentro de certos limites. Cumprimento e sorrio. Caso perceba um clima mais denso, tento uma brincadeira sutil. E aí, você sabe: quem mais se expõe, mais está sujeito ao revés. E foi o que aconteceu.

Na primeira loja, duas vendedoras no balcão montavam sacolinhas de produtos na ausência de clientes. Podiam ter me atendido, mas me ignoraram. Um rapaz, que me viu observando as prateleiras, se ofereceu para ajudar e percebi os olhares delas em nossa direção. Enchi 3 cestinhas (era uma loja de produtos para artesanato) e me dirigi ao balcão para contarmos as peças e fazer o pagamento. Dei boa tarde a elas.

Nada. Apenas o olhar de desprezo.

Vamos desconsiderar que eu estava ali em condição de cliente. Vamos apenas pensar que são três humanos em estado de interação superficial.

Um resmungo. Que parecia um pedido mudo de socorro.

Brinquei, dizendo que precisava ir logo embora, senão ia acabar comprando a loja toda. E, de repente, o revés se deu.

As duas começaram a me perguntar o que eu faria se comprasse a loja toda. O que eu faria com funcionário que se atrasa todo dia. Se eu era uma chefe justa. Pediram pra eu comprar a loja toda mesmo e demiti-las, porque, assim, acabava o sofrimento.

Era, se fato, um pedido de socorro.

Mas do jeito errado, pra pessoa errada, na hora errada.

Nas outras duas lojas também tinha funcionário reclamando à luz do dia, na frente do cliente, pra quem quisesse ouvir. E, depois, na farmácia. E, no outro dia, na padaria. E, ontem, no restaurante.

Como cliente, o incômodo foi muito grande, pelo péssimo atendimento prestado por pessoas completamente desconectadas de suas obrigações laborais imediatas (vamos nos ater, primeiramente, ao item prático).

Como profissional de RH, o incômodo foi maior ainda, pela percepção da ausência de suporte ou de atenção em relação àqueles profissionais, que são a linha de frente de um negócio.

Como ser humano, foi muito mais que um incômodo: é mais um pouco da perda de esperança no cuidar do outro. É perceber que as pessoas não estão se tornando donas da própria vida, repetindo para si (e para os outros) que até o “sofrimento” depende de um terceiro para cessar.

Querem um trabalho melhor, mas não estão dispostos a tratar bem o cliente.

Querem uma vida melhor, mas não demonstram responsabilidade para com o trabalho que dá o sustento.

Querem um ambiente melhor, mas não contribuem com uma postura à altura.

Querem um mundo melhor, sem se preocupar se estão sendo melhores para o mundo.

Não há milagre que resolva.

Isso é falta de gestão.

E lá se foi mais um cliente embora.

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Sobre Ana Gomes

Profissionalmente, mais aqui >> https://br.linkedin.com/in/anacgomes
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