O maior atentado da história

Há algumas semanas rolou, no Facebook, um post-padrão-pseudo-revoltado porque algum veículo de comunicação batizou o 11 de setembro de ‘maior atentado da história’. Então.

Esse copie-cole-me comparava o ataque às Torres Gêmeas ao Holocausto, à Hiroshima e a mais meia dúzia de questões doídas do passado da humanidade.

Muito me espantou que o (pseudo) autor (desculpem a ironia) não tenha falado das Cruzadas, Inquisição, Colonização, Escravidão e tantas outras reais atrocidades do mesmo passado da mesma humanidade. Porque né. Se é pra pagar de revoltado vamos fazer direito.

Eu não vou nem entrar no mérito da crítica a quem reproduziu, sem pensar e só baseado em números e na pecha anti-americana, porque Facebook é que nem cu, religião e gosto: de fato cada um tem o seu.

Mas é claro que a quantidade de reproduções e, mesmo o conteúdo, me fizeram pensar um passo antes – afinal, por que o ato do Bin Laden (blablabla vamos assumir que seja) foi alçado à categoria máxima da crueldade humana.

A conclusão que cheguei me pareceu simplória demais, mas ora, pelo menos é minha. Eu não concordo que tenha sido the biggest one, mas, por um lado, faz sentido. Todas as outras malvadezas comparadas ocorreram NUM CONTEXTO de maldades. Idade média, Guerras Mundiais, subjulgamento de inferiores. O mundo, ruim por natureza, meio que combinava com uma bomba atômica. Era o esperado. Como a morte na velhice.

Mas em 2001 a guerra estava lejos, quase um remake do Vietnã de anos antes. As coisas iam bem, a internet dava as caras e a nova consciência ambiental se fortalecia. O horizonte era próspero, promissor e —-

Duas torres-símbolo do império americano, com gente inocente até que se provasse o contrário, que não tinham autonomia e/ou não participavam diretamente da guerra. Esqueçamos por um segundo que eram americanos. Pensemos que eram tão somente pessoas e um punhado de sonhos projetados. E se fizessem parte do Linkedin e pensarmos na teoria dos 6 graus, quantas outras pessoas sofreram o impacto da perda?

Não era ESPERADO. Como a morte na infância tbm não o é. O maior atentado da história, pra mim, é quererem comparar as dores em volume. Mas se esquecem que a dor, essa sim, é pessoal e intransferível. E se os americanos querem ser soberanos tbm nisso, deixemos. E que não nos esforcemos para ter motivos próprios de comparação um dia.

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Sobre Ana Gomes

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