Saudade não se mata assim, gente

Eu não tenho amigos de infância. Quem me conhece sabe que, dos 0 aos 21 anos eu fui meio assim, cigana no conceito da coisa, mas ouvindo Gipsy Kings só de vez em quando. No início porque minha família era assim e depois por opção mesmo. Eu tive que aprender a criar raiz e não desapegar tão fácil. É um processo.

De modo que, pra mim, sentir saudade é algo absolutamente parte da minha vida, como sentir fome. É todo dia. Da mãe, dos irmãos, da comida, do papo, das companhias, da praia, de muita coisa. A gente se acostuma e, como não sou de drama*, aprendo a conviver.

O problema se deu hoje.

Embora eu não tenha amigos de infância, qdo vc vai chegando aos trinta, os amigos da sua época de adolescência somam, em média, 15 anos ao seu lado. Quinze. Dezesseis, nesse caso específico. E, desses 16, a conta é simples:
– 3 anos de convivência frequente;
– eu me mudo pra Bahia e nos vemos 1 vez em 2 anos;
– ele se muda pra Tóquio, eu pra São Paulo e nos vemos 1 vez em 4 anos;
– ele se muda pra Nova York e nos vemos….. 1 vez em 7 anos.

Hoje.

E, de repente, sentir saudade deixou de ser algo natural e passou a doer. Muito.

Ele é o padrinho do meu filho mais velho, ou meu compadre, mas prefiro a denominação de amigo. Um amigo que me fez pensar que não, não é bom sentir saudades e sim, temos que nos organizar pra que possamos nos ver mais e não prosseguir com a estatística acima. Que amor, de fato, precisa de proximidade física. E que algumas horas não são o suficiente pra tirar toda a conformidade que existia dentro de mim em relação a esse sentimento que só encontra denominação exata na língua portuguesa.

Agora preciso ver o que vou fazer com 29 anos de saudade acumulada. Peraí, já volto.

* pelo contrário, tenho recebido feedbacks instantâneos e imediatos de que sou prática demais e chego a ser grossa de vez em quando. Próximo ponto da lista a ser revisto.

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Sobre Ana Gomes

Profissionalmente, mais aqui >> https://br.linkedin.com/in/anacgomes
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2 respostas a Saudade não se mata assim, gente

  1. Gilson diz:

    … “realmente, Saudade nao se mata assim… depois de anos longe, um dia nao eh o suficiente pra matar a saudade, e sim ficar com muito mais saudades do que antes…
    por que fica na memoria de ver, abracar, beijar, apertar, conversar e rir com essas duas pessoinhas que eu adoro tanto (Aninha & Raphael) …

    Aninha, fiquei muito feliz em ver voces, e saiba que estou muito orgulhoso do seu sucesso e por tudo o que voce tem feito pelo Raphael;

    Beijos.

  2. Ana diz:

    Assim vc me mata do coração…

    Ana Gomes Sent by iPhone

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