A chave virou na porta e tudo começou no cômodo social. O sofá da sala nunca tinha presenciado nada parecido. Uma urgência latente em ambos, metade proibitiva, metade desacostumada àquilo tudo, ao corpo masculino e à barba por fazer. Em um tempo que não se conseguiu medir, as pérolas e abotoaduras já não compunham a vestimenta social no cômodo idem: ambos estavam em trajes privados, mas ainda juntavam seus corpos em um ambiente público. A mesa de jantar, com bolsa, telefones, crachá e contas a pagar de repente estava lisa e recebia o corpo dela com apenas duas peças – a lingerie rendada negra e o sapato boneca, o salto muito alto, de mesma cor. Inusitadamente, parou tudo e leu um email que havia escrito pra ele: “Por enquanto, ainda estou aqui. Esperando você.” Ele não esperou terminar. Beijou-a e começaram ali mesmo, a altura do móvel ideal para a situação, nada poderia ser mais perfeito. Em segundos estavam no quarto. Enfim, atos particulares em local apropriado. A partir daqui, fez-se a escuridão e a completa luz. Não foi possível saber exatamente o que aconteceu ou quanto tempo durou. Mágica. Duas, três, muitas vezes. Muito amor misturado com o instinto de ser um do outro. Medo de ser um momento único. Não foi. Mas foi, de fato, menos do que ela gostaria. Porque ela quer sempre mais.

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Sobre Ana Gomes

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