Quando 2010 anunciava seu fim retumbante, eu sentia que as coisas tinham sido difíceis, mas meio que me conformava com o andar da carruagem. Ora, eu estava apaixonada, na tentativa de um talvez namoro ou chame lá do que quiser; há pouco tempo numa nova empresa e ainda me adaptando a uma rotina sem (ou quase sem) a minha outra quase metade. É, é complexo assim mesmo. Comecei a academia, voltei a ir à praia, dancei, dancei e dancei. Eu simplesmente me deixei levar pela sedução do acaso.
E entrei 2011 achando a vida bem bacana e disposta a algumas tentativas ousadas e, pra não deixar de ser eu, precoces. Eu entrei em 2011 com o pé na porta, o peito estufado e a certeza de que eu era invencível. Sem dinheiro, mas e daí? Invencível. Magoada, destruída, mas e daí? In-ven-cí-vel.
Pra esse texto não se transformar em 12 volumes e competir com as ditaduras do Elio Gaspari, eu vou tentar resumir. No primeiro mês 2011 já deixou claro quem é que ia mandar na por aqui. Ele, sem a menor brecha pra argumentos de cores diferentes.
Obtuso, direto, reto e no fio da navalha: o ano que não me deu chance de respirar resolveu que ia me ensinar, de uma vez por todas, a me relacionar. Talvez em 2010 ele tbm tenha feito planos de me consertar em 2011. Eu, comigo mesma. De me ensinar a me relacionar comigo e administrar esse trator desgovernado em que me transformo quando gosto – e quando não gosto das pessoas e das coisas. Principalmente quando não gosto.
E esse ano eu não gostei de muita gente. Muitas vezes eu não gostei nem de mim. Eu fui opaca e me tranquei numa cor estranha até pros meus parâmetros; eu, que me visto de preto, mas adoro azul.
Fiquei sem namorado, discuti com a minha mãe, terminei de vez um casamento, comprei briga no trabalho, rastejei por migalhas e tive debates-magoantes (!) com os meus melhores amigos. Ouvi coisas que nunca achei que fosse ouvir de gente que achei ser melhor em alguma coisa e escolhi ficar quieta. Eu escolhi não revidar. Fui chamada de dura, fria e sem coraçáo. Obsessiva, nervosa e furacão. Pequeno, claro, mas ainda assim podendo causar estrago. Às vezes, irreversível. E eu detesto o que é definitivo em sua maioria.
Mas, quem diria, em 2011 me disseram que eu sei ouvir. Que eu considero a ótica alheia. Que eu sou alguém em quem as pessoas confiam pra trazer o frágil e o absurdo. Que eu pondero e tenho bom-senso. Que elas também gostam de parar pra me ouvir. E que eu sou alguém que alguns querem para sempre; não vão me deixar ir embora. Gente antiga, nova, com ou sem o avanço da idade. Geograficamente longe ou perto. Na alegria e na tristeza, como um relacionamento deve ser. Honesto. Honesto. Honesto até no que nos é ruim na essência.
E 2011 realmente me mostrou como é que a banda toca, mas fez isso de um jeito peculiar: faxinando a minha vida. E me obrigando a lidar e conviver com pessoas que, se eu pudesse, mandaria pra longe. Mas longe, já dizia o poeta, é um lugar que não existe. Longe, eu descobri, pode ser o lugar esquecido dentro de vc. Pra onde vão os brinquedos e as roupas que vc um dia abandonou – e as pessoas que vc decidiu que não te magoariam mais. Lá, junto com as vassouras, os panos e as pás. De vez em quando vc vai até lá, mas é só de passagem. E uma hora tudo acaba desaparecendo, virando só história.
De verdade, mas de verdade mesmo, esse ano será sempre lembrado pelo fato de que, hoje, eu pertenço a três pessoas: a mim, ao Raphael e ao Guilherme. E poucos (bem poucos) têm o direito de ir e vir na minha vida.
Porque, nos últimos respiros de tempo, como um bom virginiano que deve ser, 2011 deixou tudo muito claro. Em 2012 eu entro com calma e tranco a porta, só querendo (e agindo para) uma coisa: uma vida que acomode melhor os imprevistos. Emocionais, financeiros, profissionais e alheios, coloridos ou em preto e branco. Eu não sou invencível. Não sozinha.
Passe bem, 2011. Descanse em paz, desculpe qualquer malcriação e rebeldia. E obrigada por tudo.
Nossa eu definitivamente me arrepiei lendo esse texto. Gostaria de pedir sua permissão para pegar partes dele para a minha vida
O melhor de todos, sem palavras. Feliz Ano novo Ana, pra você e para toda sua familia. Um beijão grande.
Ass: Dani, quem sempre le e quando dá comenta algo por aqui.
Alguém já te disse este ano que você é MA – RA – VI – LHO – SA!!!
Uma marca registrada da Ana Gomes: OUSADIA.
Parabéns!!!
1 grd bj e FELIZ 2012
Ai, vcs são umas queridas, hein? Credo! hahahah obrigada, meninas. Dani, fique à vontade pra pegar o que quiser. Gi…. obrigada, vc é que é tudo de bom.
beijos!